Em resultado da investigação intercalar a partir do poster dinâmico, foi possível dar forma à comunidade projectual, que aqui se apresenta. A página elemento central, entendida enquanto mediação e expressão do autor – este não assume forma, é uma presença imaterial/metafísica do ecossistema.
Na media art o diálogo entre autor–obra–público (Weibel, 2005) potencia a interacção parasítica – a imersão – assumindo o público a função de parasita no corpo da obra – o hospedeiro. O ruído (referência à tríade de Michel Serres em
The Parasite), a mensagem do autor. Interrupção.
No livro, o leitor ocupa a posição de parasita, [re]constrói por morfogénese a narrativa do autor – torna-a sua. Esta é uma das conclusões que podemos retirar das leituras de
A Morte do Autor de Roland Barthes, e de
O que é um Autor? de Michel Foucault. Nestas obras, é evidente o nascimento do leitor.
“…a unidade do texto não está na sua origem, mas no seu destino. (…) o nascimento do leitor deve pagar-se com a morte do Autor.”
(Barthes, 1968: 70)
Falamos de morte, mas podemos e devemos utilizar a expressão [re]construção – é da [re]construção destas funções, da profunda interacção parasítica e mutualista entre autor–obra–público, que surge o novo Autor, e o novo Homem.
Face ao repto de cruzamento da comunidade com as teorias criacionistas e evolucionistas – o autor retoma uma posição central e divina neste ecossistema – Ele é o Criador.
Em paralelo, este vive em interdependência com o homem e a obra – na sagrada trindade do autor – numa ideia evolucionista, o autor [re]constrói-se com o público e a obra; afinal não é tão distante da ideia do Cristo que desce à Terra não apenas para ensinar, mas também para aprender – afinal e como nos diz a
Bíblia, Ele é o Filho do Homem. O criador não é apenas filho da sociedade, faz parte dela.
Voltamos ao ruído, ao “defeito” como o chama Carlos Drummond de Andrade em
O Novo Homem. O autor retoma a sua condição crítica e social. Interrupção.
2014. Hugo Oliveira Vicente. Faculdade de Belas-Artes. Lisboa