O projecto index faz uma exploração teórica e prática dos conceitos de autoria, processo e corpo, sobre a página. Esta, é entendida enquanto elemento central no ecossistema projectual do design de comunicação, nos media analógicos e digitais.
As mutações provocadas pela introdução dos novos media na área projectual do design, são refletidas sobre o trabalho autoral. O corpo, como dispositivo, permite interagir com realidades ampliadas.
O projecto index dividiu-se em duas fases principais: o desenvolvimento de um projecto editorial colectivo e a criação de um ecossistema digital.
O projecto editorial
jornal index foi composto por uma edição zero, de explicitação do projecto e mais seis edições dedicadas a cada uma das comunidades que aqui interagiam. O corpo, o gesto, assume relevo, pelo carácter orgânico e experimental da criação de cada uma das edições. Em cada edição, foram publicados um poster e um jornal desdobrável. Na capa apresenta-se o resultado, no verso todo o processo de produção traduzido numa grelha fotográfica. Os exemplares, distribuidos por toda a turma.
O
ecossistema digital index, resulta da análise da correspondência recebida tendo em conta variáveis biológicas. Os dados, foram depois traduzidos numa frequência sonora e respectivo padrão de ressonância. Os padrões, ganharam vida dentro do ecossistema, sendo os seus movimentos, apesar de aleatórios, controlados através de variáveis biológicas. O corpo é o dispositivo que activa os micro-organismos digitais, atraindo-os e levando-os a reproduzirem-se tal como as bactérias da comunidade de partida.
Pretendeu-se assim fechar o círculo, o que saiu do corpo, regressa digitalmente ao corpo, através dos micro-organismos, uma transmutação digital do diálogo material entre as várias comunidades.
A experimentação sobre o processo de design e autoria, permitiu reenquadrar estes conceitos face ás mutações provocadas pela introdução dos novos media no design, efeito de uma cultura da interactividade que perpassa toda a sociedade e todas as funções, da qual Weibel nos fala no seu ensaio
The Post-Medial Condition.
O autor faz parte da sociedade enquanto elemento activo, sensível e interactivo. O público, é então pela perspectiva do processo em design, sempre co-criador
da obra. O reconhecimento dessa função, apenas potencia o papel do autor, que desta forma, retoma uma posição central, crítica e social – como nos diz Anne Marie Duguet em
Does Interactivity Lead to New Definitions in Art? – a de Criador.
2014. Hugo Oliveira Vicente. Faculdade de Belas-Artes. Lisboa